Como estimar o crescimento anual dos dados gerados pelo MiSeq

Índice:

Laboratórios que investem em sequenciamento de nova geração rapidamente descobrem que o volume de dados cresce de forma exponencial.

Essa expansão não planejada gera custos imprevistos com armazenamento e cria gargalos operacionais que atrasam projetos de pesquisa críticos.

A infraestrutura de TI precisa sair do modo reativo e adotar uma abordagem proativa para gerenciar a capacidade de forma previsível.

Compreender os fatores que ditam o volume de dados por corrida é o primeiro passo para construir uma arquitetura de armazenamento adequada.

O ciclo de dados do sequenciador

O ciclo de dados do sequenciador

Estimar o crescimento de dados de um sequenciador MiSeq exige que a equipe de TI compreenda o ciclo de geração de arquivos, desde os dados brutos no formato BCL até os arquivos de sequência FASTQ, pois cada etapa da análise expande o volume original e impacta diretamente a arquitetura de armazenamento, a rede e as políticas de backup.

Uma corrida no MiSeq não gera um único arquivo grande. Ela produz uma estrutura complexa de diretórios e arquivos que servem a diferentes estágios da análise genômica.

O processo começa com a geração de arquivos BCL (Base Call), que contêm a informação bruta de fluorescência para cada ciclo de sequenciamento. Esses arquivos são a matéria-prima do processo.

Em seguida, o software do próprio equipamento ou um servidor de análise converte os arquivos BCL em arquivos FASTQ. Este é o formato padrão para dados de sequência.

Essa conversão, conhecida como demultiplexing, separa os dados de múltiplas amostras processadas em uma única corrida. O processo consome recursos de CPU e espaço em disco temporário.

O resultado final é um conjunto de arquivos FASTQ que representa a base para toda a análise subsequente de bioinformática.

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Fatores que definem o volume final

O volume de dados de uma corrida não é fixo. Ele varia bastante conforme os parâmetros da análise.

O tipo de kit de reagentes e a flow cell utilizados são os principais determinantes da capacidade de geração de dados. Kits como o v3 geram um volume significativamente maior que os kits v2.

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O comprimento da leitura, ou read length, também impacta diretamente o tamanho dos arquivos FASTQ. Corridas com leituras mais longas, como 2x300 pares de base, produzem arquivos maiores que corridas de 2x150.

A análise secundária expande ainda mais a necessidade de armazenamento. O alinhamento das sequências contra um genoma de referência gera arquivos BAM, que podem ser maiores que os arquivos FASTQ originais.

Posteriormente, a chamada de variantes cria arquivos VCF. Embora menores, eles se somam ao volume total de dados que o time de infraestrutura precisa gerenciar, reter e proteger.

Modelando o crescimento anual do armazenamento

Modelando o crescimento anual do armazenamento

Um cálculo preciso do crescimento começa com uma conversa. A equipe de TI deve alinhar as expectativas com os pesquisadores do laboratório.

O time do laboratório sabe a previsão de corridas por semana ou mês. Eles também conhecem os tipos de análise mais comuns.

Com esses dados, o analista de infraestrutura pode criar uma projeção simples. O modelo multiplica o tamanho médio por corrida pelo número de corridas planejadas.

Uma estimativa de 20 corridas por mês, com uma média de 20 GB por corrida, resulta em 400 GB de novos dados brutos mensalmente. Isso totaliza 4.8 TB em um ano, apenas para os dados primários.

É crucial adicionar um fator de expansão para a análise. Se cada projeto dobra de tamanho com arquivos BAM e outros resultados, a necessidade real de armazenamento ativo sobe para quase 10 TB por ano.

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Arquitetura de rede e armazenamento central

O sequenciador MiSeq transfere dados por uma porta de rede de 1GbE. Essa conexão pode se tornar um gargalo durante a transferência de dezenas de gigabytes.

A transferência de uma única corrida pode levar horas. Se a rede não for segmentada, a operação pode degradar o acesso para outros usuários do laboratório.

Um storage NAS centralizado em uma rede de 10GbE resolve esse problema. Ele recebe os dados do sequenciador e os disponibiliza para as estações de trabalho de bioinformática com alta velocidade.

Esse sistema de armazenamento deve suportar múltiplos protocolos de acesso simultâneo. Analistas frequentemente usam estações Linux com acesso NFS e Windows com acesso SMB para diferentes ferramentas.

A centralização dos dados em um servidor de arquivos robusto simplifica a gestão. Ela também estabelece um ponto único para a aplicação de políticas de segurança e backup.

Gestão de retenção e arquivamento de dados

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Gestão de retenção e arquivamento de dados

Dados de sequenciamento possuem alto valor científico e regulatório. Eles não podem ser simplesmente descartados após a análise inicial.

Uma política de retenção clara é essencial para o controle de custos. A equipe de TI, junto com os gestores do laboratório, precisa definir o ciclo de vida de cada tipo de dado.

Arquivos brutos BCL, por exemplo, podem ser arquivados em um storage secundário mais lento após a geração dos arquivos FASTQ. Isso libera espaço no armazenamento primário de alto desempenho.

Os arquivos finais, como FASTQ e VCF, geralmente exigem retenção por anos. Um sistema de armazenamento com capacidade de tiering automático move esses dados inativos para camadas de menor custo sem intervenção manual.

Snapshots no storage primário oferecem uma camada de proteção fundamental. Eles permitem a recuperação rápida de arquivos deletados ou corrompidos acidentalmente durante a análise, evitando a repetição de corridas caras.

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Backup e proteção contra perda de dados

A perda de dados de sequenciamento é catastrófica. Ela representa a perda de amostras biológicas raras, tempo de trabalho e financiamento de pesquisa.

O RAID presente no storage NAS protege contra a falha de um ou mais discos. Ele garante a disponibilidade do sistema, mas não substitui uma rotina de backup.

Uma política de backup que segue a regra 3-2-1 é o padrão ouro. Ela prevê três cópias dos dados, em duas mídias diferentes, com uma cópia mantida fora do local principal.

O processo de backup deve ser automatizado para garantir consistência. Um job agendado copia os dados de projetos concluídos do NAS principal para um segundo dispositivo de armazenamento, que pode estar em outra sala ou prédio.

Apenas ter o backup não é suficiente. O responsável pela rotina precisa realizar testes periódicos de restauração para validar a integridade das cópias e garantir que a recuperação funcione sob pressão.

Planejamento e diálogo contínuo

Planejamento e diálogo contínuo

Dimensionar o armazenamento para dados de genômica não é um projeto com início, meio e fim. É um processo contínuo de monitoramento e ajuste.

O time de infraestrutura deve manter um canal de comunicação aberto com a equipe do laboratório. Essa colaboração permite antecipar a compra de novos equipamentos ou o aumento no volume de projetos.

Uma arquitetura de armazenamento bem planejada e escalável remove barreiras técnicas. Ela garante que a capacidade de pesquisa do laboratório não seja limitada por uma infraestrutura inadequada.

Conversar com especialistas em armazenamento de dados ajuda a traduzir as necessidades do laboratório em uma solução técnica concreta. A equipe da Storage House está preparada para desenhar uma infraestrutura que cresça junto com suas descobertas.

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Edgar Carvalho

Edgar Carvalho

Especialista em Storage
"Engenheiro de computação com mais de 12 anos atuando em infraestrutura de TI e soluções de armazenamento, assessoro empresas e integradores na escolha de NAS, DAS, JBOD e soluções all-flash ou híbridas. Com experiência em produtos Qnap, Synology, Infortrend e grandes fabricantes, traduzo especificações técnicas em recomendações práticas para compras e projetos. Comprometo-me com a missão da Storage House."

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